Seriado Coreano que fala de amor. Interessante!

Lie to me

LIE TO ME

Bem, definitivamente, rendi-me aos coreanos! A mim falta apenas ter um carro de marca Coreana! (risos)

Antes de seguir, um vídeo do Youtube com um “resumo” do seriado.

Eu, aos poucos, vou conhecendo um pouco mais sobre a Coréia, seus produtos e sua cultura. Bem, eu tenho ascendência japonesa, mas, digamos, somos todos orientais (risos). Depois de conhecer o sorvete MELONA (e experimentar um), após a compra de aparelhos SAMSUNG (monitores, TV, smartfone, notebook, tablet) e LG (monitor, celular), depois de ver os veículos KIA Motors, Hyundais e SsangYong e conhecer os pneus HANKOOK, agora resolvi, via NETFLIX, conhecer os seriados (ou novelas, para quem for realmente assistir, como eu fiz) coreanos!

Para a minha estréia, selecionei Secret Garden, que eu já tinha lido algo em algum lugar, mas nada tão profundo. Não cheguei a completar o primeiro episódio (que agora vou retomar, já terminei o primeiro!). Porém a porta de entrada e, por isso esse artigo aqui no amordecasal.com.br, foi o seriado LIE TO ME. Sim, isso mesmo, tem o mesmo nome do seriado norte americano LIE TO ME, onde um detetive resolve casos apenas observando os “tiques nervosos” próprios de quem mente. Porém, tirando o título em inglês, LIE TO ME da Coréia nada tem a ver com o LIE TO ME rodado nos EUA!

A história de uma mentira contada por uma jovem quase adulta de 28 anos (segundo a OMS e a CONJUVE a juventude termina aos 29 anos!) para fugir à pressão de uma de uma “melhor” amiga (extremamente chata!) e de uma sociedade que, segundo o seriado, ainda privilegia as mulheres que se somente se casam, em detrimento daquelas que se dedicam ao trabalho e a uma carreira profissional, rende boas risadas e um tanto de “own que fofa!”, “own que fofo!” e “own que fofos!”.

Yoon Eun-hye

Yoon Eun-hye, que interpreta Gong Ah Jung, em LIE TO ME.

Mas longe de ser apenas um bom passatempo, pois são mais de 16 horas de programa, divididos em 16 episódios, realmente se pode observar a crise social vivida pela personagem principal e as nuances de uma “nova” sociedade em construção. Gong Ah Jung, interpretada pela atriz e cantora sul-coreana Yoon Eun Hye (veja o site dela aqui), mente que é casada com o presidente de uma rede de hotéis de luxo, Hyun Ki Joon, interpretado pelo ator Kang Ji-Hwan (bem esse rapaz tem site em coreano e um fã clube japonês – bem que eu achei ele com cara de “japa”! – risos). Até aí, seria apenas uma história de novela brasileira, com toques de Ivani Ribeiro e Janete Clair, porém, assim como essas grandes escritoras de novelas, há o pano de fundo, a motivação para todo o enredo e a comédia que vira drama: o amor entre homem e mulher em uma sociedade que está em constante globalização, perdendo suas tradições.

Na Coréia tradicional, como em todos os países asiáticos, o homem era e ainda é o provedor da casa. Esse costume é facilmente observado pela conduta das amigas de Ah Jung, que, casadas, não precisam trabalhar e passam os 16 episódios entre compras, academia e chás da tarde. As amigas valorizam os maridos pela posição social e pela capacidade de sustentá-las. Em determinado episódio, elas chegam a reclamar do mau humor e das grosserias dos maridos, mas dizem que isso é assim mesmo. É o amor “à moda antiga”, onde a mulher ocupa os espaços definidos pela sociedade e pela tradição familiar.

Kang Ji-Hwan

Kang Ji-Hwan que interpreta Hyun Ki Joon em LIE TO ME.

É diferente com Ah Jung, que estudou duramente para manter-se ao lado de seu primeiro grande amor, Jae Bum, que a deixa por sua “melhor amiga”, So Ran. Apesar dos nomes gozados, a situação é bem real: a moça tradicional fisga o rapaz que ainda pensa de forma tradicional. E aí, todo o estudo de Al Jung é direcionado para que ela seja uma grande profissional. E ela consegue isso passando no concurso para Oficial do Ministério do Turismo e da Cultura da Coreia, um rígido departamento público onde o menor deslize é punido com processo administrativo e demissão (igualzinho ao Brasil!). Ah Jung e uma colega de trabalho casada, são as duas únicas mulheres no departamento. São sempre deixadas de lado nas decisões importantes. E é aí que a protagonista é confrontada com a realidade: apesar de tanto estudar ela, devido ao fluxo social, precisa se casar. E surge a mentira. Uma mulher independente, trabalhadora que casa-se com um destaque da economia Coreana. É o grande sucesso da mulher! Mas e o amor?

Bom, o amor revela-se o mesmo de todos os lugares onde se percorre um caminho de conhecimento. Arrisco a dizer que essa comédia-dramática-coreana é um ou dois estágios ultrapassados pela nossa sociedade brasileira. Aqui a mulher já foi pega na arapuca do estudar e lutar para ser alguém socialmente, tanto que um seriado com o mesmo tema aqui não teria motivos para ser comédia. Talvez fosse somente drama. O amor não mudou para os homens coreanos, mas mudou para as mulheres coreanas. Um momento no penúltimo episódio (o de número 15), quando a rica tia de Ki Joon, que não aparece com marido em nenhum dos 16 episódios – ela é totalmente o estereótipo da mulher ocidental com cara de oriental, com um amargor e sem sentimentos legítimos – pressiona Ah Jung dizendo que, se ela se casar com o sobrinho, deverá cuidar das coisas e dos negócios do marido, deixando de lado sua própria vida e conquistas. Aí o drama vira um dramalhão, quando Ah Jung quase manda o amor para o espaço tentando desistir do namoro. Ela definitivamente não poderia viver o amor, deixando para trás sua luta, seu estudo e seu amor próprio. Como amar alguém sem poder amar o que construiu em si mesma? A solução: pedir um tempo, correr para viver o máximo sua posição social antes de entregar-se ao amor. Hyun Ki Joon como fica nessa? Como os homens de nossa sociedade: imóvel quando lhe convém e conduzindo a vida de Ah Jung quando deseja viver sua visão de amor. A palavra que ele mais diz a ela após a metade do seriado é “vamos”. Ou seja: siga meus passos para que eu lhe faça feliz. O final da história? Bem, você precisará assistir às mais de 16 horas. Vale a pena.

Amor de casal aqui no Brasil ou lá na Coreia tem muitos percalços. Não se pode afirmar que a situação de 40 ou 50 anos atrás era a ideal. De forma alguma. A mulher não poderia viver naquela condição inferior a do homem, submissa. Mas não precisa ser a submissa moderna do seriado coreano, que recebe para ser a esposa bem arrumada, cheirosa e de formas perfeitas. Isso não resolve. O amor conjugal em tempos de globalização do século 21 precisa ser algo que traga os valores tradicionais como a valorização mútua, a honestidade, a partilha, a doação de vida (de ambos), a atenção, o diálogo, entre tantas coisas, para que possa crescer sem a anulação da mulher, nem a desvalorização do homem, mas equilibrando as responsabilidades, compartilhando os objetivos e estabelecendo metas conjugais onde duas pessoas possam realmente ser um casal vivendo a opção de amar.

Lie to me, seriado coreano de 2011.

Lie to me, seriado coreano de 2011.

“O tempo não tem fim e não deixa rastro. O espaço é infinito e não deixa marca. O amor é a mesma coisa: o valor do amor está nas recordações. Você só teria que encontrá-las mais uma vez.” frase dita por Hyun Ki Joon no seriado (vai ter que assistir para ver quando ele diz isso!). Deveria ser assim o amor de casal nesse mundo pós-moderno? Aproveitar as recordações antes que elas se apaguem? Não seria melhor viver o amor como se fosse uma eterna recordação diária? Quem teria que ceder para tanto? E de quem seriam as recordações: do homem ou da mulher? Ou dos dois?

Vale a pena assistir!