Nem sempre quem ama é feliz. Mas e daí?

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Em uma sociedade que privilegia a busca da felicidade a todo custo, não é difícil imaginar que o conceito de amar esteja totalmente ligado ao de ser feliz. E a grande decepção que muitos têm está ligada ao fato de que nem sempre amar e ser feliz estejam intimamente ligados. Aliás, quase nunca estão.

Quem ama profundamente outra pessoa o faz por decisão própria, por desejar o bem e a felicidade do outro. O prazer de quem ama é ver, em primeiro lugar, o bem estar daquela pessoa a quem ela dirige seu amor. Amar é entregar de si, é doar incondicionalmente. Em outras palavras, quem ama verdadeiramente esvazia-se para e pelo o outro. Mas o interessante é que sempre sobra amor, se for verdadeiro, dentro da bolsa de quem já se esvaziou.

Neste processo de doação, muito contrário à postura egocêntrica apregoada atualmente, muitas vezes se encontra o dissabor e a dificuldade. Isso porque não somos ensinados afetivamente a sermos doados, aliás, desde pequenos somos ensinados a fazermos trocas: entrego algo se a outra pessoa retribuir-me. Se isso não acontece há o risco de sermos considerados estranhos e idiotas. Mas se a proposta for a de sermos um contraponto a essa corrente, encontraremos a estranheza de quem não está acostumado a ser amado, pois também poucos aprendem isso na vida. Assim, quem recebe profundos dons de amor de outra pessoa geralmente fica desconfiado. Não acredita e tende a não retribuir. E, então, quem ama se decepciona.

Mas para quem é paciente e perseverante no amor, sabe que com um pouco de insistência e de testemunho de vida é possível reverter a situação e fazer a pessoa a quem se ama confiar neste sentimento que quando sincero é profundo e recompensador.

Por isso, não se deve esperar uma recompensa imediata ao amor entregue, mas acreditar que amar é uma forma de alcançar a felicidade a longo prazo, pois há a possibilidade de ser amado. E quem é amado, esse sim, sempre é feliz, mesmo que não perceba.

Mas isso é tema para uma outra reflexão.

Amor, Relacionar-se

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